Keys é a favorita? Não acredito nisso, não.
Anisimova despachou Kenin com 20 aces e um tie-break de arrepiar. Agora vem Keys — e eu sei de que lado estou.
Vinte aces. Não é força bruta, é precisão cirúrgica. Amanda Anisimova despachou Sofia Kenin em três sets, 6-2, 4-6, 7-6(3), e muita gente ainda olha para esse resultado e vê apenas “passou de fase”. Eu olho e vejo uma jogadora que resolveu o tie-break do terceiro set com frieza de veterana. Isso diz muito.
O duelo com Madison Keys na terceira rodada de Wimbledon está sendo vendido como equilibrado, e entendo por quê. Keys tem saque e forehand para acabar com qualquer uma numa tarde de inspiração. Mas minha tese — e sei que tem gente que discorda — é que Keys chega nessa partida como a jogadora com mais a perder, não Anisimova. Keys é cabeça de chave 26, está numa fase que exige confirmação constante. Anisimova joga leve. Saque funcionando e um tie-break recém ganho no bolso. Pressão psicológica pesa sim, e quem carrega menos dela tem vantagem.
O que me chateia é que, quando uma jogadora americana aparece do outro lado da rede, a narrativa do circuito rapidinho vira “a favorita é a americana”. Canso disso. Anisimova já provou nessa quinzena que não veio passear. Vinte aces numa vitória não é coincidência, é confiança no próprio saque. Quem está confiante no saque em Wimbledon não fica esperando o resultado cair do céu.
O chaveamento indica que a vencedora desse jogo pode enfrentar Noskova ou Cirstea, com Rybakina do outro lado da metade inferior esperando. O caminho tem nome e tem lógica. Mas só chega lá quem passar essa rodada com cabeça no lugar.
Anisimova versus Keys. Anoto na agenda e espero com vontade.