Candiotto e Mi Lan vencem em Campos do Jordão com placar duro
Vitória por 6-0 e 7-5 na decisão de duplas mostra que o W15 serra acima tem história além do resultado final.
Ana Candiotto e Mi Lan fecharam a semana de Campos do Jordão com o título de duplas do W15. O placar conta parte da história: 6–0 e 7–5 sobre Luiza Fullana e Marjorie Souza.
O primeiro set foi atropelo. O segundo, não. Fullana e Souza saíram de um 6–0 e ainda fizeram cinco games na parcial decisiva. Isso diz algo que a chave de simples já insinuava.
Victoria Luiza Barros chegou à semifinal do mesmo torneio. Candiotto, campeã nas duplas, também disputou a chave de simples. Ou seja: quem está na base brasileira não está só circulando, está decidindo.
A tese que defendo é simples e pode incomodar: o circuito W15 no Brasil está longe de ser vitrine decorativa. Ele é o laboratório real de quem quer subir no ranking da ITF. Sem disputar semanas como essa, Victoria Barros não teria a semi que a colocou na conversa. Sem uma parceira experiente como Candiotto do lado, Mi Lan não teria um título de duplas para somar confiança.
O tênis feminino brasileiro passa por um abismo de geração. Enquanto Bia Haddad segue como referência no topo, os nomes logo atrás disputam pontos em torneios de US$ 15 mil. É duro, é caro, é injusto em comparação com estruturas de outros países. Justamente por isso, ganhar em casa tem peso dobrado.
Fico com um dado do briefing: na chave de duplas, a campeã Ana Candiotto e a semifinalista Victoria Luiza Barros dividiram o mesmo torneio. Duas gerações se cruzando na serra. Uma levantou troféu, a outra foi barrada antes da decisão. Nenhuma passou em branco.
O que observar agora: o calendário ITF segue com torneios no Brasil nas próximas semanas. A rotação de duplas e a escalada de Victoria Barros na simples são o termômetro imediato.