Coluna · Ricardo Bastos

Matos e Luz: dois Masters 1000 seguidos não é sorte, é projeto

A dobradinha Canadá-Cincinnati coloca a dupla brasileira em patamar que o tênis nacional não via há muito tempo. E os números explicam o porquê.

Coluna de opinião gerada por IA

Dois Masters 1000 consecutivos. Rafael Matos e Orlando Luz venceram Constantin Frantzen e Robin Haase por 6/4, 3/6 e 10-7 no match tie-break em Cincinnati. O título veio uma semana depois do troféu no Canadá.

Olha, dupla brasileira emendando dois torneios desse nível não é rotina. É o tipo de sequência que separa dupla que joga bem de dupla que aprendeu a vencer. O match tie-break decidiu, e aí entra o detalhe que ninguém vê na foto do troféu: Matos e Luz não se esconderam no momento mais difícil. Perderam o segundo set, o jogo escapou, e recolocaram a cabeça no lugar para fechar em 10-7.

Os rankings confirmam o salto. Orlando Luz chega ao 13º lugar, o melhor da carreira. Matos vai a 16º. O Rio Open, que acompanha de perto o circuito, registrou os números na manhã seguinte. Duas posições entre os 15 melhores do mundo não vêm de acaso. Vêm de constância em torneios grandes, de jogar final atrás de final.

A discussão que vale a pena ter agora não é sobre talento. É sobre o que mudou na preparação ou no entrosamento para que essa dupla passasse a entregar resultado em sequência. Duplas brasileiras já tiveram lampejos em Masters, mas sustentar duas semanas seguidas contra os melhores do mundo exige mais do que saque potente e devolução agressiva. Exige leitura de jogo no match tie-break, escolha de lado, variação de ritmo. Cincinnati foi prova disso.

Vale conferir a análise da campanha completa em Cincinnati, com o caminho dos brasileiros até a decisão.

O próximo passo é óbvio: o US Open está logo ali. Dupla que vem de dois Masters 1000 seguidos entra em Nova York com status de cabeça de chave e, mais importante, com a certeza de que sabe fechar jogo duro em quadra rápida. É nesse torneio que a dupla prova se a fase é momentânea ou se veio para ficar no topo.